segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A traição – Seu preço

            Confesso que votei no José Serra. Votar no PT de Lula, Zé Dirceu, Genoino, Paulinho, Wagner, Palocci, Dilma e Eronildes, Martha e toda a “curriola”, seria um desafio que me imporia contra a ética e a honestidade que sempre pratiquei.

            E por que o Serra perdeu? Muito simples.

            Impôs-se, pela segunda vez, como candidato. “Sou o único bom”.

            Quando da segunda disputa, 2006, juntamente com Aécio Neves, por ter os seus interesses pessoais combatidos, tudo fez para que o Dr. Geraldo Alkimin, não saísse candidato, naturalmente, não fosse eleito.

            Nada fez para deflagrar uma campanha de partido, vestindo a camisa. O Aécio, seguindo a dialética do Serra, também interessado, fez o jogo da omissão. Tirava um concorrente do caminho das suas pretensões. Veio 2010. Ora, sobraram, pois, os dois, Serra e Aécio.

            A luta da traição ao partido, sibilina, recíproca, foi infernal. A vaidade e o pouco respeito ao partido e ao Brasil fizeram com que um desgaste imenso jogasse por terra o ideal da corrente partidária séria.

            Brigaram e brigaram na calada da noite e ao sol a pino. Um queria ser o rei a qualquer custo e o outro não admitia a hipótese.

            Por que ser príncipe?

            Por que não colocar a coroa sobre a própria cabeça?

            A luta prosseguiu, implacável e o tempo correndo. Num momento, impôs-se uma situação e, então, o perfil do “homem”, do ser humano se fez claro, como sempre acontece.

            Por que não trair como já o fizeram antes, dando o troco sem passar recibo?

            Se você não me aceitou, o pódium teria que ser seu que contra mim digladiou, por que vou sair como um amigo, lutar por uma causa que é pessoal, não visa o bem estar, não visa o bem geral?

            Por outro lado, votei, também, no Dr. Geraldo Alckmin para governar São Paulo.

            Que procedimento! Que postura de homem de bem!

            Embora preterido, traído, largado ao léu da própria sorte há quatro anos atrás, saiu a campo, lutou, brigou por um ideal. Semblante digno, pessoa honrada, traz a marca acentuada da felicidade, do sentimento puro, do respeito a si próprio e aos seus e, só não entendi, até hoje, a aceitação de uma secretaria, talvez uma estratégia pontual, mas fica a indelével marca, sei lá, do perdão.

            Se perdão, faz parte de sua índole.

            Há uma necessidade urgente da “brotação” de um líder nacional. A nação não suporta traições e traidores, muito menos e enxurrada das malíficas vaidades, dos subterfúgios dos interesses mesquinhos.

            De quem será e de que forma nova traição surgirá?

            Parece a história do príncipe perfeito que destruiu todos os seus súditos para impor-se coroado.

            Quando percebeu que estava só no principado, atirou-se precipício abaixo.

            A traição pode não levar ao precipício mas poderá levar aos estertores da solidão. 

            Não existe coisa pior aos vaidosos que a não disposição de áulicos.

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